quinta-feira, 17 de março de 2011

' A(dor)meci.

O que se ganha é sempre menor ou, em outras palavras, ainda não há maturidade para entender os processos de maneira a considerarem-se úteis também as experiências traumáticas. De traumas talvez eu entenda bem. Dorzinha egoistamente simpática que acaba sendo critério de seleção para formação daqueles grupos aleatórios sentados em bares todos os dias justificando e compartilhando dores. Tive de parar. Tive de parar porque se tem uma coisa que mata é amor, e não é bem do jeito que se imaginam por aí... um simples surto inexplicável que quando diagnosticado descreve-se no óbito como causa-mortis 'paixão'.
Morreria ébria, largada, desiludida e nostálgica sem, como outrora ouvi dizer, um motivo para escrever ou para continuar, e nada disso me soa bonito como essa coisa poética sobre morrer de amor que se ouve todo dia. Mas foi simples como me ocorrem algumas palavras no meio da noite e pra não perdê-las anoto no corpo de uma mensagem de celular e às vezes até as envio a alguém aleatório com medo de que se percam. No meio daquela noite foi bem assim, senti forte algo adormecido e começei a sonhar angustiada coisas indecifráveis. Quando acordei naquele susto de pesadelo as idéias estavam totalmente confusas...
Tiro, festim, você, guerra, ganhar, perder, canhão - mas que bagunça! Não dava pra anotar nada assim tão desordenado, aleatório e nada poético. Pouco tempo depois de vasculhados os pensamentos em busca de uma explicação, havia de lembrar que os sonhos são o lirismo da realidade diária, e que naquele dia anterior uma troca de e-mails talvez me remetesse a algo tão confuso, e era mais ou menos assim:


Re: Divã, meu bom divã

Brother,

realmente queria dizer que é normal sentir essas coisas, essa insegurança e esse medo avassalador sobre o amor. Mas é muita loucura detestar as rosas só pelos seus espinhos. És, somos. Calejos que pouca gente se submeteria em razão de outra pessoa.
Amor próprio, costumo dizer hoje, tem a ver com saber dos limites e desfazer as amarras quando necessário. Amarras enquanto ser submetido a uma situação e os nós que surgem neste percurso. Cegos nós que costumam demorar a desatar ou não se desatam nunca. Nunca é fácil e ainda não conheci quem conseguisse sair ileso de uma relação amorosa, enquanto que até numa guerra muita gente se safe, do amor é pouco provável. O que quero dizer agora, é que muitos foram e ainda muitos existirão veteranos de guerra... tem gente que sobreviveu às metades só pra poder contar sobre como é estar no meio de algo do tipo, mas, que por repetidas vezes não negou-se à luta. No amor vai ser diferente? Só não vá me perder um braço ou uma perna.

With love, Dream On.



A bagunça começava a se desenrolar junto com o também confuso estímulo que há umas horas havia enviado numa troca de e-mails. Não concebia naquele momento que aquilo me fizesse tanto sentido quanto esperava fazer ao meu estimado destinatário réu-confesso esperando sua sentença. A minha própria sentença. Sem forças para divagações, me saltavam novamente aquelas palavras desconexas: você, guerra, ganhar, perder, tiro, festin...

ESSA SUA BALINHA DE FESTIM NÃO COMBINA NADA COM MEU TIRO DE CANHÃO CERTEIRO.

Era isso! A complexidade e a simplicidade da desilusão inoportuna. Escrevi no corpo da mensagem e de súbito começei a digitar teu número: 8... Deus! Sacudi a cabeça no travesseiro aflita mas a tempo. Não era assim que acabava e não haveria inspirações nem palavras para numa outra ocasião reescrever essa história. A ressaca de sono duraria um dia, quem sabe dois... mas aquela agonia já perdurava e não seria menos tortuosa que um porre de vinho todas as manhãs. Teu festim dói sem machucar humilhando o meu matar ou morrer, mas essa guerra só existe se tivermos nós dois. Adormece, coração.

segunda-feira, 14 de março de 2011

E o que é raiva às vezes, é amor pra sempre. Inércia maldita!

sexta-feira, 11 de março de 2011

' Dear psycho,

Ando com preguiça de interpretar o mundo, de entender as pessoas, de procurar os sete erros. Gostaria de ter todas as respostas na última pagina, de ter um manual de atitudes sensatas, de ter o pensamento voltado pra Meca. Queria que houvesse um serviço de telessoluções entregues a domicílio em menos de meia hora. Que gorjeta boa eu daria. Cansei de filme de guerra, holocausto, tortura, exorcismo, crise existencial, seqüestros, erro médico, suicídio, trapaça. Agora só vejo comédia romântica, dessas que não valem o preço do ingresso. Ando abençoando a alienação, eu que tinha uma dificuldade crônica em concordar com os outros, que consumia arte e perversão, filosofia e rock´n´roll, literatura e álcool, Almodóvar e beijos lascivos. Lopes, me quero de volta, eu pago resgate.

Divã – Martha Medeiros

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

' Love.exe



ENCONTRE A SUA METADE!!!



< thought > Dizia o anúncio. A única explicação é que fizeram piada com esse meio-pessoal sem a sua outra meia-parte. Parece que o prazer dos meio-corações é a busca eterna da última peça do quebracabeça mais curto porém mais complicado do universo. Combinemos que misturaram bem as peças dos pobres aflitos tão facilmente identificados nas multidões. Quando pequenos, aprendem a ter medo do bicho-amor que avassala os corações de quem é pego por ele; por essas e outras que histórias ainda mais temidas que remontam o sofrimento dos maus-amores que aprende-se a flexibilizar as necessidades, daí surgindo os corações de metades-universais - adaptáveis a qualquer outra metade - compre um, leve dois (mil). Pensando assim parece ser uma preocupação muito mais social-obrigacional do que uma instiga invisível e inexplicável que ocorre quando se gosta e passa a necessitar algo/alguém. Pobres viúvas!, imaginem. Levar uma vida inteira pra tentar acertar nas escolhas e perder eternamente sua possibilidade de paz seria, no mínimo, injusto. < /thought >

Depois da longa pausa de reflexão, retomei o anúncio que já dizia:

'Já é hora de se apaixonar, descubra quem te completa!' 'Agora vai, encontre um amor!'


Um quase devaneio retomado e um pensamento interrompido; foi assim que deixei pra lá as lógicas e as reflexões profundas quase vãns sobre. No fundo todo mundo sabe o roteiro. As tele-novelas também ensinam todos os dias que existe um final absolutamente óbvio mas que te sugará forças e esperanças durante o percurso, onde até apaixonar-se por si mesmo pode ser caminho. 'Funpass, assine já!' era o último anúncio que sucedia aquele bombardeio de estímulos emocionais que acabariam por guiar a um site de relacionamento qualquer. Suspirei fundo até encher os pulmões e aspirei devagarzinho aliviada. UFFA! Imaginem só... coisa mais remota essa de gostar de alguém! PFF!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

' Sem(nexo)assunto.

Mudaram as estações deixando apenas desleais por quê's e se's.




Mas nada vai conseguir mudar o que ficou...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

' Inquieta(&)ção


Foi mesmo uma espécie de vamos ou não vamos embarcar nessa. Pensamento traçando o horizonte e areia fria de fim de tarde. Os medos antigos e as turbulentas lembranças das navegações que já tripulara fazia o vento soprar frio também do lado de dentro.
Havia de tomar aquele pequeno barco, uma bússula que já não apontava para o norte com exatidão e que ainda assim conseguia instigar com inversa precisão a ansiedade de traçar caminhos novos, mesmo que o ponto de chegada fosse sempre incerto e os ventos em algum momento pudesse naufragar os sonhos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Não fiz simpatia, não usei cores de roupas que remetessem a um pedido individual pro ano novo, nem saltei as 7 ondinhas. Concentrei mesmo em uma coisa simples, mas que resumiria qualquer delonga sobre querer algo: que seja doce!

Que seja doce mesmo! O ano, a Ana e o que tiver de vir.